quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

FILHOS DOS FILHOS DE RUA - REVISTA TRIP.


Meu marido chegou em casa com uma revista TRIP , ed. de setembro/2007 , a capa tem uma japonesinha linda de calcinha e sutiã,quando abri a revista me surpreendi , cheia de matérias interessantes , vale a pena visitar o site , dá pra ler as matérias na íntegra, tem uma entrevista super legal com o Marcelo Rosembaum , o arquiteto do Caldeirão do Huck, sabe aquele que reforma casas? Agora o que mais me chamou a atenção foi a matéria do Bruno Torturra Nogueira , Filhos do Centrão, vale muito a pena ler .

Um trechinho da matéria , vale a pena ler até o fim:

ENDIVIDADO AOS 9
Como todo membro de elite, R. e seus 613 colegas são muito parecidos. Alternam o andar entre um gingado arrogante e um jeito curvado, olhar de lado, arisco. Nenhum sabe ler – mas reconhecem imediatamente a marca dos óculos escuros do repórter. E, em um dos poucos diálogos que travaram sem desconfiança ou incompreensão, fizeram pouco de meu sapato preto sem graça. Uns três na turma de R. se gabavam de calçar Nikes. Dois, com orgulho de terem sido roubados. Na pergunta básica que toda criança responde de bate-pronto eles travam: quer ser o que quando crescer? R.: “Polícia”. Toma uma salva de risos e vaias. “Pra poder bater em todo mundo.” “Ahhh”, meia dúzia suspira.

Muito difícil ficar junto com a turma de R. São uns dez moleques e só uma menina, que não parece ter nem 12 anos, parva de um solvente que respira em uma garrafa de H2OH. Não convém passar a noite do lado deles, avisa a assistente H. Melhor observar de longe, chegar com calma, ir embora logo. A razão é triste: “No dia seguinte você vem de banho tomado, outra roupa... Eles ficam com inveja. Tem voluntário que se abre muito, de repente acaba apanhando”.

De longe não é muito emocionante. Parece que passam a vida ao redor de outras vidas passando. E eles ali... parados. Usando escadas e muretas como divãs para entrar em torpor. Solventes, cola, álcool, maconha ácida, crack. R. gosta muito de crack, e, das poucas coisas que se dispôs a falar com a reportagem, foi um pomposo “fumo crack, não sou criança”. Cocaína, não. Não tem dinheiro pra isso.

Aliás, dinheiro ele não tem pra nada. Quando ganha algum, não gasta. Se quer água, ou um salgado, esmola. Ou pressiona uma menina de carteira aberta. Seu dinheiro, não. Com seu dinheiro só paga o que deve: isso é a coisa mais importante. Ao contrário do senso comum, o que encerra cedo a vida desses garotos não é a droga, um tiro da polícia... são dívidas.
Mesmo ao relento há quem cobre aluguel. É traficante que cobra o crack, é dono da rua que cobra taxa, é polícia que toma parte do butim, é moleque mais velho que arranca dos mais novos. Fiado pode: só que um dia a conta chega. E deixar de ser menor de idade, vivo, requer talento. Seleção natural: dos moleques, os nóias sobrevivem. Feito os cachorros mais safos, as pombas mais folgadas, os gatos mais hostis e os ratos acuados.

Mas R. não chega a ser um moleque. Nem chega a ser um menino. Bem longe de ser homem, é um ser humano de rua, animal adaptadíssimo a uma bizarra ecologia: um filho de um lugar onde 18 milhões de pessoas se amontoam, cada uma cuidando de si. Quando acaba a madrugada e o dia sobe para o povo trabalhar, é hora de R. e seus 613 amigos dormirem. Ele se enrosca com um colega debaixo de duas mantas de feltro diante do granito preto do Bradesco, sob o edifício Copan. Enquanto cochicha, é a primeira vez que parece sorrir. E aí entendo... Robertinho é uma criança.

Ele fica imóvel debaixo da manta até que pareça um entulho na calçada. Espera um minuto e sente um pé passar rente à coberta. E pula com seu colega, gritando agudo e soltando uma gargalhada histérica. A mulher dá um pulo de susto e nem olha pra trás. Percebe o que houve, mas não quer saber. Está só de passagem – e “quem passa não tem compromisso”, como afirma seu Affonso, síndico do prédio que faz sombra em Robertinho. O edifício Copan.

Um comentário:

Cláudia André disse...

oi espero q tu estejas bem....bom, eu comprei o treco (tear), mais tenho que encontrar alguém pra me ensinar...hehe
por enquanto eu só namoro, já tentei aprender sozinha assim como fiz com o ponto cruz, mais não deu certo, no momento eu acho esse treco muito dificil.
mais quando encontrar uma alma caridosa pra me ensinar eu não paro mais.
eu tb tenho umas 500 coisas começadas e nunca terminadas!! haha
passei para um bláblá básico...fique com Deus.
bjos